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Velharias Empoeiradas

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Dona da Caneta



Poema da semana

Como não tive tempo para retirar os entulhos que cercam as coisas que escrevo, lhes presenteio com um belo exemplar da lírica do poeta chileno Pablo Neruda:

Farewell y Sollosos - Despedida e soluços


Ya no se encantarán - Já não se encantarão
Mis ojos en tus ojos - Meus olhos nos teus olhos
Ya no se endulzará - Já não se adoçará
Junto a ti mi dolor - Junto de ti a minha dor
Pero, hacia donde vaya - Mas, para onde eu for
Llevaré tu mirada - levarei o teu olhar
Y hacia donde camines - e para onde caminhes
Llevarás mi dolor. - Levarás a minha dor.
Fui tuyo, fuiste mía, - Fui teu, foste minha
Qué más? - E daí?
Juntos hicimos un recodo - Juntos fizemos um passeio
En la ruta - No caminho
Donde el amor pasó. - Por onde o amor passou.
Fui tuyo, fuiste mía, - Fui teu, foste minha
Tú serás del que te ame - Tu serás daquele que te amar
Del que corte en tu huerto - Daquele cortar na tua horta
Lo que he sembrado yo. - Aquilo que eu semeei.
Me voy, estoy triste - Vou embora, estou triste
Pero siempre estoy triste - Mas sempre estou triste
Vengo desde tus brazos - Venho dos teus braços
No sé hacia donde voy... - Não sei para onde vou...
Desde tu corazón - Do teu coração
Me dice adiós un niño - Me diz adeus uma criança
Y yo le digo adiós. - E eu lhe digo adeus.

PABLO NERUDA

P.s.: a tradução não é minha.



- Postado por: mendesouza às 14h22
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UMA PIADA SEM GRAÇA SOBRE ELEIÇÕES

Pior do que o segundo turno, é aguentar a propaganda política do segundo turno.

Pior ainda do que a propaganda política do segundo turno é saber que tem gente que vai repetir a besteira do primeiro...

Alguém riu? Pelo menos eu ri sozinho, rsrsrs...



- Postado por: mendesouza às 14h24
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CAPÍTULO NOVO

Estou trazendo o segundo capítulo daquela estória muito doida que estou escrevendo, parece um tanto ilógico mas não é para ter sentido mesmo. O que vale é a brincadeira com a linguagem.

CAPÍTULO DOIS - O SURGIMENTO DA PENDENGA OU DA INVENSÃO DO PAR OU ÍMPAR (PARTE UM)

 

Londres, 28 de maio de 2002 (domingo e não estou de porre, que pena!)

 

         Muito tempo levei para conseguir compreender estas primeiras páginas. Entre o misto de extasê e o misto-quente com tomate acredito ter decifrado os primeiros escritos. Após o ler senti que a narrativa é um tanto dificultosa e ela me parece um pouco mais gostosa acompanhada com charrutos e um uísque barato. O texto não apresenta divisões em capítulos ou episódios. É um grande emassado de escritos e por facilitar meu trabalho optei em dividí-lo de acordo com os dias dedicados aos trechos.

 

         Penso que me contar devo que um dia houve em que Estripulândia foi grande união de famílias paz sossegados e muita harmonia. Não se sabe como é que cargas-d'água trouxeram os colonizadores pra cá, pois de algum lugar haveriam de ter vindo os ditos cujos muitos espiculam que tenha sido bote desgarrado que Noé seguiu se perdeu depois que a água do dilúvio baixou pois na estória não sabe se que que é que aconteceu com os pescadores os ribeirinhos e alhures que hoje tem se aparecido como um mistério deste tempo em porventurança doutros vindoiros; hipotetizava-se por outra vista que Frodo Bolseiro e colega Sam seu aqui caíram de pára-quedas élficos depois que a paz reinou em Gondor mas sabe ninguém como mulheres apareceram posto não serem eles devotos adoradores de mulatas loiras e adjacências pelo que se contavam e cochixavam nos entremeios das aventuras entre a morte de um orc e outro. Jurunas diziam que preocupação com origens apenas queimava energia que dispensada poderia ao trabalho parecia que havia algo de obscuro e subliminar reinando sendo velada as conjecturas prováveis daqueles que seriam a vir conhecidos como sépticos,  não pegavam infecções. Logo disso esqueceram perque memória não é uma coisa de característica doidivana e escritos registros do período não houve. Os únicos eram que escreviam em garrancho (a língua das tribos oficial, Boatos um dos jurunas mais resgalados segundo diziam ele dizia não compreender o que outros escreviam na certeza da reciprocidade deste sentimento com outros jurunas colegas) não tiveram trabalho ao não contar a história do povo a qual o não trabalho tiveram que foi de esquecer. O que trago aqui recortes são falas de jurunas lúcidos nem tanto que cooperar aceitaram.

        

         Como disse que um dia paz houve té que um figura dos Enxiridos (conhecida família por meter bedelhos em lugares escusos) achou a Tranqueira. Batizou-a assim não sabia porque nome dar a coisas tantas e diversas que cresciam da terra e das folhas e dos caules e de dentro da terra saiam se tiradas pelo que estava de fora. Piroca Enxirido o bravo desbravador de Tranqueira como conhecido veio ficar despois pensou que tudo podia ser de tuda doidivanada que pegasse o que aprouviesse-lhe de modo que abusos não haveriam. Além de que o mais não conheciam comércio sempre um tinha o que trocou com outro e assim sempre foi e sempre seria.

 

         Eis semcórdia. Esculhambação pai-do-pai-do-pai-do-pai de Esculhambação figura deu mantimentos e condimentos e goles para viagem de Enxirido aceitou não domíno público de coisa que ajudara descobrir mesmo que de jeito não direito correto tando lá. Queria que Tranqueira fosse arrendada às duas famílias bugigangas e enxiridos montariam mercado de trocas de especulações pelas coisas e trecos e quinquilharias que produzidas lá fossem que já noutro lugar nada crescia de comer caçar trabalhoso demais poucas bocas comiam enquanto cresciam pequenos doidos em número tanto bastante bastante.

 



- Postado por: mendesouza às 14h05
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deu na folha: A QUEDA DO FIDEL EM CUBA

Muitos esperavam que fosse a queda do regime ditatorial do guerrilheiro, mas ele apenas tropeçou...



- Postado por: mendesouza às 13h40
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um poema do Leminski

enchantagem


de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade

 

 




- Postado por: mendesouza às 13h26
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poeminha da semana

QUIMERA

Quimera

Que(m) e(r)ra

Quem puder

Quem pudera

 

Quimera

Quem pudera

transformar

uma flor em primavera.

 

P.S: sabe quando o poema lhe sai já conhecido? Tenho esta sensação, já faz mais de um ano que o escrevi e ele ainda me parece de outro, estranho não? alguém já ouviu algo parecido em algum lugar?



- Postado por: mendesouza às 12h20
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CAPÍTULO zero

CAPÍTULO zero - O LUGAR QUE NÃO TINHA LUGAR NO ... (seria alguma coisa equivalente a mapa)

 

          Concórdia era palavra não conhecida no vernáculo local. Poucas palavras eram usadas, muitas permaneciam em estado dicionário, os salários dos filólogos e lingüístas eram altos e o uso de os dicionários e gramáticas em demasia onerava os pobres públicos. Se não havia concórdia o que sobrava era semcórdia mesmo. Porque aos sopapos e petelecos uma coisa só interessava: Tranqueira.

 

          Um parêntese introduzamos: Tranqueira era o que dividia o dormitório dos petelecos e dos sopapos. Há tinha e podia ser produzido de um tudo de trecos e porcarias  aos negócios e quinquilharias (afinal, todos de quinquilharias precisamos). Nesta feita excitava a larica dos figuras que se digladiavam em intermináveis disputas de dois ou um e par ou ímpar sem chegarem a acordo na divisão das merrecas. Se um par queria o outro ímpar pedia e versa-vice, idem-ibidem. Parêntese fechado.

         

          O líder dos petelecos, Esculhambação, descendente direto da linhagem nobre dos bugigangas (primeiros colonizadores desbravadores da nádega esquerda da região, era lobisomem que só pensava em Tranqueira coisa a muito desejada por sua esposa Fornicação bela dama da tribo potranca. O desejo de tanta larica era evidente pelos lucros e senão pelos pilas que ganhariam e dariam engorda para os pobres da tribo.

 

          A outra caspa localizada noutra extremia da nádega oposta, os sopapos eram chefiados por um doidivanas (carinhoso modo de chamarem doidos) de nome Escracho, mesmo havendo quem duvidasse da sua lobisomidade era figura de conceito dos jurunas (figuras que já não serviam ao trabalho nem da carne aos deleites, bebiam dormiam peidavam e em tudo sobre opinavam eram respeitados, não nesta ordem necessária). Escracho era um figura escarrapacholante. Não negava suas descansadas e passava do dia muita parte dele dormindo e pulgas catando do cachorro seu, Espiqüila por todos muito adorado por o tempo tomar do chefe Escracho. A sua companheira de lençóis, Putaria há longos perdera algumas poucas graças que possuia e isso a deixava profundamente pirada tendo crises de personalidade e deprimensão que chegou a tentar nascer-de-novo (um remédio criado pelos jurunas tentativa de embelezar as feiúras testado pouco e niguém soube se certo deu). Disto também seu  interesse pelos apetrechos de Tranqueira e suas quinquilarias eram a sua esperança derrramadeira.

         

          O povo não esquentava com desavenças das tribos. Eram pouco muito intruídos e não se resgalavam com exdruxulâncias trabalham trabalhavam e dormiam na mesma proporção sendo ambiçòes não conhecidas. Os pequenos lobisomens ficavam sob a tutela dos jurunas (as duas tribos jurunas tinham) e aos nascimento do pelos primeiros eram a certas funções passados de acordância com habilidades creditadas pelos jurunas.

 

          As duas tribos possuiam socialização de relações ninguém manda mas tem alguém por perto ou de longue que grita para que se trabalhar vá. Há um conselho de jurunas que diz o que o chefe deve fazer e ele se querer obedece ou se mulher quiser ele desobediece. O povo só trabalha e o que quer dá como impostor, se não tem como dar nada se muda ou some. Os chefes eram escolhidos pelo dedo dos jurunas em secreta assembléia em que só mulheres tomavam parte. Sabe ninguém o devido de nestas ocasiões levarem suco-de-cevada-fermentada e carne-dura-de-sal.

- Postado por: mendesouza às 13h43
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ESTRIPULÂNDIA

ESTRIPULÂNDIA

 

                        Limbinório Escatapúrdio

                                    (tradução e comentários de mendesouza)

 

Londres, 25 de maio de 2002, (acho que numa quarta-feira)

 

Numa terra distante em tempos há muito idos, havia uma região isolada por vales gargantuosos de pedras petrificadas, rios caudalosos bravios encostas não encorajáveis. Lugar este ficava perto de coisa nenhuma e longe de tudo que perto fosse. Restaram poucos registros escritos, e sabe-se que mapas não haviam, pois seu povo nunca fora cultivador dos estudos geográficos estrambóliocos tampouco. O que me pretendo-me a fazer-lo é de facto contar-lhes as inglórias proezas de um povo que não se sabia gente. Estripulândia sempre fora terra de doidos (gentílico dos que habitavam lá), e há cinco gerações o povo era dividido entre os petelecos e os sopapos, duas caspas distintas duas vilas do lugar dois pentelhos diferentes.

 

          Até hoje não se sabe ao certo a sua localização, se era em uma ilha do pacífico, ou um recondito escondido nos Alpes franceses, há até quem supunha ser algo próximo da China só que mais para o lado da Índia.

 

          Fui me deparar com a história deste povo quando da minha ida para a Inglaterra para estudar os escritos antigos dos povos indianos que originaram a gramática de Panini. No museu de escritos empoeirados e pergaminhos de couro fedorentos deparei-me com uma caixa, na verdade um baú que havia resistido às traças e aos cupins. Perguntei ao rapaz responsável pelo aquivo o que era aquilo. Ele deu pouco caso e apenas disse que os que leram aquilo não creditaram valor histórico e tampouco antropológico dado a linguagem estranha, com um léxico muito pouco referenciável e uma sintaxe extremamente exdrúxula para se comparar com uma língua românica ou germânica. Fiquei curioso e resolvi tomar aventura. E tomo por liberdade reproduzir a tradução que venho fazendo do texto, batizado por seu autor como Estripulândia.

 

          Vasculhei algumas enciclopédias antigas e atuais atrás de alguma referência a este nome. Há colegas que cogitaram terem uma vaga lembrança deste nome quando estudaram sobre a biblioteca de Alexandria, mas não recordavam referência ou onde leram isso. Nada. Busquei pelo suposto autor, Limbinório Escatapúrdio, decepção. Não há pó que revele um insignificante traço recôndito deste lugar. Com aspecto apócrifo este texto me agonizava, parecia dizer leia-me leia-me, como Alice receio eu tinha de entrar neste mundo e dele não mais sair e vou lhes contar, na verdade o que lhes trago é relato do que Limbinório contou-me nas noites subsequentes que fiquei sem dormir, vivia a base de cafezinhos e cigarro e sanduíches de mortadela. Fui engolido pelos pergaminhos e não sei como sair deles mais.

- Postado por: mendesouza às 13h41
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A GESTAÇÃO DE ALGO QUE SE PRETENDE ROMANCE

A GESTAÇÃO DE ALGO QUE SE PRETENDE ROMANCE

 

Nota introdutória: antes de ser uma obra, estes escritos se configuram como a tentativa de ensaiar ou mais exatamente, de brincar de trabalhar com as possibilidades de se contar uma estória que não tem haver com coisa nenhuma senão com uma realidade apenas interna à nossa consciência. Não tá claro? Nem para mim. Esse exercício de criatividade narrativa me surgiu num insight e ficou me cutucando por uns dois dias até eu pegar do papel fazer uns esboços e passar para o computador. E agora, pretendo compartilhar o processo de conceber uma narrativa de proporções que ainda não sei quais, e isso é o que menos importa.

 

 

 



- Postado por: mendesouza às 13h41
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