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Velharias Empoeiradas

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- Postado por: Luisandro às 19h11
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PENSAMENTOS DESCONEXOS

Acredito que um dia o mundo será um lugar legal para se viver. Na verdade o mundo é um lugar legal para se viver, trabalhar, fazer sexo e ter uma casa com jardim e cachorro. Na verdade todo sonho do homem é esse, ou melhor esses. Alguns poucos privilegiados já nascem com tudo isso, daí se enfadam e vão encher o cu de porcarias alucinógenas porque o mundo não é o bastante para eles. Mas tudo bem, cada um faz o que bem entende com o dinheiro que o seu pai lhe dá.

Acredito quando Schopenhauer questionava nossa liberdade. Vivemos em sociedade. Minha liberdade acaba onde começa a do outro, e outros chavões desse tipo são apenas para nos alertar do que as minhas atitudes podem trazer conseqüências para os meus convivas. Ok. Seu eu fumo cigarro isso é problema meu, mas passa a ser seu também quando eu sopro fumaça na sua cara. Ninguém tem obrigação de respirar a merda de ar que eu insisto em poluir com monóxido de carbono e outras porcarias. Nesse sentido acho que contribuo para o mundo ser um pouco ruim.

Não tenho nada contra a música do povo, das massas, a cultura popular. Mas há uma grande diferença entre a cultura popular e a cultura de massas. O samba e o pagode são cultura popular. Mas compare um samba de Noel Rosa, João de Barro com essas coisas que aparecem por aí? Não perca seu tempo, não tem comparação. Por isso me reservo o direito de não gostar de pagode, funk e sertanejo. Aí é que entra o papel da mídia, da cultura de massas. Tudo é em série na pós modernidade. Você cria uma coisa nova, no outro dia já tem pelo menos cinco similares. É assim com o funk carioca criado sobre uma variação de poucas batidas e sintetizadores e com letras que tratam as mulheres como seres inferiores e apenas objeto de sacanagem; se elas gostam de ser tratadas assim, problema é delas, mas não me obrigue a ouvir estas besteiras. Tocou na novela virou moda, está na trilha sonora da globo, virou hit, não tem erro. Nessas horas tenho que concordar com o Chico Anísio, que disse numa entrevista que para fazer sucesso não precisa ter talento, é só aparecer bastante. Isso é de fato uma verdade. Os sertanejos não se aposentaram (pena!), só aparecem pouco, o mesmo com os pagodeiros, que depois da febre brigam e acabam gastando a grana que ganharam com festa e mulherada e com pensão dos filhos espalhados.

Nosso país é um lugar muito bom para se viver, eu acho. Nunca morei fora para saber. Mas ainda temos uma visão estreita das coisas. A escola não ensina a pensar. A televisão nos dá o pensamento mastigado e dirigido. E político acha que investimento em educação é construir sala de aula. Os gregos mostraram que não precisava de mais do que uma sombra, um professor com conhecimento e alunos astutos e com sede de aprender, o resto veio em conseqüência. Até hoje eu não entendi porque o Brasil foi um dos últimos países a fundarem uma universidade pública. Grande parte das Federais não chegou ainda aos 50. Talvez porque a burguesia da época preferia mandar seus filhos estudarem na França ao invés de investir na fundação de universidades deste lado do Atlântico, mas é claro que isso seria um problema, já que o proletariado iria reivindicar direitos também. Como hoje o faz, ou tenta. Daí o governo cria esse pró-une. Ao invés de investir no público, cria vagas no privado, que não investe em pesquisa, o aluno é um cliente, paga para fazer a prova de novo se foi mal, além do que a contratação de doutores é só para cumprir exigências mínimas do mec para funcionamento.

Esse país tem muita coisa errada. Mas acredito que o grande erro somos nós mesmos. A maior cagada do planeta foi a invenção do povo brasileiro. Misturaram índio, com negro, com português e com outras coisas e vejam no que demos... são nessas horas que lembro de um pensamento de Sartre, somos aquilo que fizemos do que fizeram de nós. O problema é que não sabemos ao certo o que fizeram de nós e o que queremos fazer de nós mesmos. Daí a Veja entrevista um cara que está metendo o cacete no ministro da fazenda, o cara diz que não é para levar a sério porque ele bebeu. O depoente tem o direito de permanecer calado e não falar a verdade. Ninguém merece. Por que ninguém levou a sério a idéia do Raul de alugar o Brasil? Acho que alugaram, mas ninguém vê a cor do dinheiro.


Notas:

- Nossa, como eu sou um cronista de merda, consegui fazer um texto em que cada parágrafo falei de uma coisa e não cheguei a lugar algum, daí o título;

- Estou meio ausente dos meios digitais, msn, desfiz meu perfil no orkut, se nem a amizade real é verdadeira, a virtual menos ainda. Corro o risco da generalização, sempre tem pessoas legais e creio que elas não vão se ofender, porque que sei que vão ler isso;

- Gilberto Braga, segunda semana de novela e já apelando para o golpe do assassinato com meia dúzia de suspeitos?

- Assisti "Sideways: entre umas e outras". O roteiro é interessante, os atores são interessantes, esperava mais pelas críticas que li. Agora entendi porque as pessoas me dizem para não parar de escrever, continue, vai que um dia melhora... Assistir um filme onde toda cena tem uma garrafa de vinho, e você sem nenhum em casa... eu mereço.

- Algum blogueiro do uol está conseguindo atualizar as configurações? fazem mais de dois meses que não consigo alterar nada. O que acontece?



- Postado por: Luisandro às 22h56
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DO PÉ QUE BROTOU MARIA NEM MARGARIDA NASCEU


Buraco da fechadura


Saudade do tempo do buraco da fechadura. Banheiro que era banheiro tinha fresta não maior do que o espaço para ver um insinuação de corpo, uma nesga de coxa, mesmo que fosse entre os lençóis de vapor e por pouco tempo, o véu da deusa sempre encobrindo a real beleza. Já que sempre alguém aparecia. O medo, a descoberta e a esperança de ver um corpo de mulher mesmo que em pedaços alimentava nossas fantasias, que importava se de prima ou vizinha?


- Sai daí guri!


Tinha uma morena grande que morava com a minha avó. Não sei se ela era grande mesmo ou minha impressão naquele tempo era que tudo fosse maior do que eu. Quando criança as coisas sempre me pareciam grandes, as pessoas me pareciam fortes, intempestivas e incisivas na força e na diligência adulta, o que sempre me dava um pouco de medo e receio. Ela era bem morena, quase negra. Morenona, cabelo duro, pelos pubianos bem aparadinhos e grossos. Como eu sabia que eram grossos? O olho do tato, dá para saber só olhando aquele vulto que se esconde por detrás da selva negra e fechada. Os pêlos mal desenrugavam com água e sabão. Os primeiros que vi? Os seios bem maiores do que minhas mãos naqueles anos. Duas auréolas envolviam aqueles dois sóis brilhantes me ofuscando a vista, a voz, avançando rijos do peito, dois cavaleiros errantes embebidos de espuma que suave e maliciosamente eram acariciados com as palmas da mão deslizantes e circulares, coisa que parecia deixá-los mais ferozes; armados com a lança e a armadura doce do sabonete vinham cruéis para me fazer rastejar entre as valas pobres da trincheira e do esgoto. Suficientes em tamanho para me besuntar de desejo.


Mas ainda não tinha as forças de homem para brincar com ela. Que podia fazer com tão limitada força, nem cavaleiro destemido eu era para me enredar nesta cruzada sinuosa, cavalgar naqueles vales sombrios entre florestas escuras e sussurrantes nas noites de outono de lua fechada. Menino sempre mirrado, nem reparava em mim, que pouco falava, muito ouvia, muito perscrutava. Lutava sozinho contra demônios, dragões de caudas longas e chicoteantes me açoitando nas madrugadas em que as cobertas se recusavam a me ceder calor e aconchego. Bem que ela podia me ter esperado crescer. Enquanto isso não vinha, a fechadura era a trincheira do jovem cavaleiro que não montava de medo do tombo da montaria, que parecia muito mais alta do que realmente é.







- e O Flamengo, engrena ou é tesão de mijo?


- Essa semana acontece um evento no Sesc de Floripa, Folia das Falas, encontro da poesia, o Fabrício Carpinejar vai dar uma oficina de poesia para crianças e participar de uma conferência, vale a pena conferir;


- Como membro da grande massa que torce contra o Corinthians, estou de cara com a propaganda que fazem do "timão" na tv, A record e a bandeirantes só faltam mudar os nomes dos programas, "coringão interativo", "terceiro tempo do corinthians na tv", não se cansam de falar, falar, rever os gols, comentar, é campeão, nào é? é? alguém alcança? ninguém alcança? ñunca vi troço igual, nem quando o cruzeiro ganhou antecipado, nem com o santos ano passado.


- Eu adoro o itau, vou pagar vinte reais porque fiquei UM DIA com o saldo negativo, pode? é o banco do merchan, alguém tem que pagar a conta de publicidade deles, acham que tem como negociar? pobre só se fode! quanto você menos tem mais te tiram.


boa semana a todos



- Postado por: Luisandro às 17h07
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ONDE ANDA VOCÊ?

Por aqui de novo dando notícias!

- Será que o Flamengo escapa esse ano? Estou preocupado, mas por outro lado gostaria que o time fosse para a segundona para dar uma chacoalhada naquela diretoria irresponsável;

- O presidente Lula vai participar do Roda Viva, Tv Cultura, na próxima segunda 07/11, imperdível;

- Ainda sobre o Roda Viva, assisti o programa com o Zé Dirceu. Não se ele é bom articulista ou se estava falando a verdade, afirma convictamente que não há provas contra ele, mas creio que sua cassação é certa, a direita está doida pela cabeça dele;

- Fui presenteado pelo meu amigo Caio com o romance novo do Tezza, O Fotógrafo, Editora Rocco, que ganhou o prêmio de melhor romance do ano da ABL. Não sei quais os outros romances que concorriam também, mas o que importa, para quem gosta da sua literatura é que parece que sua estética se aprimora a cada dia. O esmero com a palavra, o cuidado com o jogo simbólico entre pensamento, ação, progressão da narrativa. O seu ponto forte é mesmo a narrativa, o modo como ele conduz o leitor pelas cenas, a forma como as vozes do narrador e dos personagens se misturam formam um tecido prazeroso de ser enliado. Quando lido tem-se a impressão não apenas de entrar nos pensamentos dos personagens, mas também você visualiza seus gestos, seus medos, seus sonhos, suas paixões.Pareceu-me que na verdade o grande pano de fundo da estória toda é nossa busca eterna pela felicidade, a inquietaçao que situações comodas ou insustentáveis nos causam, somos eternos insatisfeitos, e isso ele sou retratar muito bem, com primor e genialidade. Estou lendo o livro de contos "A cidade inventada" também de sua autoria (outro achado no sebo), publicado em 1980, a diferença é surpreendente. Mesmo assim é um Tezza autêntico;

- Mais de um mês sem mexer nas minhas fábulas, estou agoniado com isso, a poesia, bem a poesia, não sei como anda ela, que me vê e finge que não me conhece, e eu que pensava que éramos íntimos, até a levei para meus lençois e lhe jurei amores doidos e eternos, que fazer?

* Foto de Nicola Ranaldi



- Postado por: Luisandro às 00h34
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A luz do dia me fere
os olhos com a dura sensatez
da realidade.

Apague a luz, que
vou dormir até mais tarde.


Cá estou eu escrevendo novamente, na verdade estava com pouca paciência para cuidar do blogue (estou ainda), mas tudo bem. Acredito que posso dar minha parcela de contribuição, para o bem ou para o mal, dos que aqui passarem.

Duas coisas que fiz de bom nesse tempo: Conheci Ana Cristina Cesar, uma carioca com muito gingado e um lirismo de dar água na boca. Poesia despojada, solta, veloz, te captura como uma entrega louca, um mergulho de olhos fechados em um copo grande de conhaque antes de mais uma noite que você sabe que vai voltar para casa sozinho e depois de tudo isso escrever um versos. É assim que vejo ela, beber dela foi uma coisa maravilhosa, ainda sinto os efeitos do porre, estou "a teus pés",  mulher! Outra coisa que me apresentaram foi o livrinho do Michel Melamed, Regurgitofagia, dessas coisas que só o Caio encontra e compartilha com os pobres alienados da agitaçao cultural como eu. Com um projeto gráfico ousado, talvez ousado não seja a palavra, mas interessante ficasse melhor, o livro mistura pitadas de um lirismo brincalhão com jogos de palavras e experiência, muita experiência uma grande viagem pela criatividade e inventidade deste cara multissemico. Já simpatizava com o seu programa, Recorte Cultural, na TVE, agora ganhou minha simpatia pela sua literatura (não que isso valha alguma coisa).

Ë isso...



- Postado por: Luisandro às 00h50
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QUIÇAÇA

OLHA eu por aqui de novo! To meio sumido da net. concentrado, ou tentando na minha dissertação. meio sem saco pra msn e blogues. Mas logo eu volto a ativa com a frequência anterior, apenas preciso concentrar minhas energias no meu trabalho, resistindo bravamente às tentações mundanas deste mundo pernicioso. o que confesso ser uma tarefa árdua. mas tudo bem, na medida do possível vou visitando todo mundo. Grande abraço...

- Postado por: Luisandro às 16h58
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Tinha esquecido de comentar no post anterior, dia 16 do corrente fez um ano que este blogue entrou no ar. Felizmente é uma das poucas coisas não profissionais da minha vida que duraram tanto. Confesso que a idéia de largar isso me seduz. Continuo mais por teimosia mesmo. Mas esse post é para agradecer a todos(as) que passam por aqui de vez em quando e comentam ou não. Obrigado a todos.

Alguns passam por aqui comentam e não voltam. Tem alguns que passam de vez em quando. Tem alguns que frequentaram a casa por algum tempo e creio que tenham se livrado deste vício ou neste momento estão em alguma clínica de recuperação... a hipótese mais provável é que tenham se enchido do meu blogue ou porque eu não os visitei mais (sou sincero, visito quem me visita), ou porque não me visitaram mais, enfim.

O importante é que nesse período conheci umas pessoas interessantes por quem guardo imenso carinho: a Camila, de Goiânia, que faz o Efervescências; a Lisi, que não tem blog, mas é mãe de uma blogueira de quem já peguei algumas fotos, a My, que escreve no paperbag writer, e é uma excelente fotógrafa e editora de fotos; a Lelinha, que coleciona blogues, e faz templates, inclusive a minha e de alguns outros endereços por aí, que no momento tem o Banheiro Feminino (em parceria), a Esferográfica Azul (carreira solo) e um outro em que ela escreve com pseudônimo; Tem o bailarino de Recife, Kizer (tá sem link ainda), gente boa, um pouco mais depressivo do que eu sou às vezes; A Dona Esperanza, que sempre posta coisas interessantes no Sou Eu MEu, a gente só conversa pelos comments, mas saiba que te admiro muito. É claro que esqueci de outros, mas estas pessoas foram as poucas com quem conversei pelo msn e nos tornamos bons amigos. Um abração pra todas... e claro para os outros que sempre passam por aqui, comentando ou não.

ps.: não estou conseguindo atualizar as configurações, por isso alguns links não foram atualizados e nem consigo responder aos comentários.



- Postado por: Luisandro às 14h46
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COISAS DA CIÊNCIA

Quando estudamos a evolução do conhecimento científico em dadas áreas do conhecimento, nos deparamos com coisas muito estranhas e por si mesmas extremamente engraçadas. Citando Roberto Casati "não há teoria bizarra que algum filósofo não tenha sustentado" (A descoberta da sombra, Editora Companhia das Letras).

  • Tinha um filósofo grego, não me recordo o nome, que acreditava que a Lua era uma tigela, pense nas fases, na luz que ela reflete... mas é muito estranho isso;
  • Galileu pensava que as crateras lunares seriam do mesmo tamanho que as nossas cordilheiras e serras;
  • Houve um biólogo Helmon (médico em Bruxelas), que criou uma receita para criar ratos que envolvia panos velhos, comida estragada, se não me engano era só deixar isso dentro de uma caixa que poucos dias depois você teria ratos lindos e viçosos (alguém duvida?), pois é, ele acreditava que a vida tinha geração espontânea;
  • Tinha gente que acreditava que a terra era plana e não redonda;
  • Alguns psicanalistas acreditaram por algum tempo que o enjôo durante a gravidez era uma aversão da mulher ao feto e isso se manifestava no desejo de vomitá-lo (acreditem, pensaram isso!);
  • Quem já estudou alguma coisa de psicologia já deve ter ouvido falar no Skinner, é aquele da caixinha mesmo que ficava dando choque nos ratinhos para eles aprenderem por repetição, tinha um outro experimento com cães que fazia ele salivarem quando ouvissem uma sineta, que até gerou uma piada muito bizarra, dizem que os professores babam quando ouvem a sineta da escola. Pois bem, é devido a esse senhor que até bem pouco tempo se aprendia línguas estrangeiras na base da repetição "listen and repeat", ad infinitum, até decorar. Mas a teoria do tio Skinner de que a gente aprende a linguagem também por repetição é uma furada: como explicar que as crianças produzam coisas, frases, que elas nunca ouviram antes? Você pode passar a sua vida toda escutando e repetindo frases feitas, mas nunca vai falar como um falante nativo, se não for exposto á língua, ouvir dados reais de fala, nunca vai aprender um idioma, pelo menos falar com competência comparável à um nativo não;
  • Outra consequência das idéias desse cientista maluco, pensava-se que nossa mente era uma "tábula rasa", mas hoje se tem evidências para argumentar em favor de que certas características humanas são genéticas;
  • Devido a essa estória de genética, alguns malucos afirmaram, tem gente que afirma ainda, que certos comportamentos são hereditários: vícios, homosexualismo, tendência a furtar coisas, loucura, algumas doenças degenerativas (alzheimer por exemplo). Vícios não se sustenta, pois as drogas são muito recentes para terem sido codificadas na nossa genética; furto? Creio que vale o mesmo argumento; como as doenças do tipo do alzheimer acometem pessoas com idade muito avançada, geralmente depois da casa dos setenta, tende-se a crer que se ocorreram alguns casos na família, os futuras gerações também podem ser acometidas pelo mal, só que também não se sustenta, pois as pessoas podem morrer mais cedo e por outras razões, e se acredita que o alzheimer seja uma doença da velhice mesmo, um processo natural da degeneração das células do corpo humano;

Teria muito mais coisas, essas poucas foram as que eu lembrei. Mas na história das diferentes ciências podem ser encontradas muito mais curiosidades desse tipo. Será que alguém escreveu um livro sobre isso? Parece-me tão óbvio que a resposta talvez seja afirmativa, mas eu não conheço.


enquanto isso por aqui... chega desse sentimentalismo barato e destes versinhos de quermesse e festa de igreja, não é verdade? não sei porque, mas sempre que se me abatem esses rompantes de falar do amor eu acabo lembrando porque não gosto de escrever sobre isso, mesmo escrendo (talvez mais como exercício), um pouco porque mulher alguma se apaixone por alguns versos mal escritos, outra porque a grande maioria das mulheres para as quais escrevi alguma coisa não mereciam...

e a foto? nada a declarar, ela fala por si



- Postado por: Luisandro às 00h19
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SO NICE, IT WOULD BE SO NICE

"Saber que não escrevemos para o outro, saber que essas coisas que vou escrever jamais me farão amado de quem amo, saber que a escrita não compensa nada, não sublima nada, que ela está precisamente ali onde você não está – é o começo da escrita" Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso

Quando da leitura deste trecho, me detive por um momento pousando o livro sobre o peito na tentativa ingênua de melhor compreender isso. É algo do qual outrora não tive ciência, pelo menos em um nível tal explicitude. Sim, talvez ele esteja certo, e está. Por um longo tempo nunca acreditei que eu tivesse capacidade artística e intelectual para pensar no amor, em relacionamentos, paixão e congêneres. As mulheres sempre me pareceram, e ainda parecem seres escorregadios, às vezes graciosos, às vezes cínicos quando não dissimulados. Esses seres que rebolam lindamente, pintam com cuidado os lábios e traçam as sobrancelhas com finas tiras concertando os traços da face me incomodam, me perturbam. Cada vez mais percebo que cada mulher é um pequeno microcosmo envolvido em uma fina camada de celofane brilhante e quebradiço de cores fortes (algumas conseguem fazer isso desaparecer e se tornam muito descoloridas e sem graça alguma, mesmo envolvidas em lindas embalagens bem adornadas, no fundo vaquinhas bem alimentadas que nada vêem além do poderoso úbere escorrendo leite e babo, uma mistura confusa e repugnante – por isso talvez atrativa). Acho que era assim que eu as via (certamente ainda vejo). Mas por que afinal escrever a mulher? Tomar da pena, pensar em ti, objeto de desejo, tentar te reconstruir em palavra, caminhando sobre o abismo sabendo da queda, pois é inevitável o fracasso. Não há no mundo metáfora que te esgote, te encerre em verso ou canção. Não! Definitivamente: NÃO!!!

Há o desespero, quase delírio lancinante. A tua presença incômoda, intimida, perturba. Seduz sem esforço, por ser simplesmente o quanto és, bela de traços fáceis. Me falta palavra para descrever o teu abraço. Por que te solto, quando na verdade queria te enliar, enredar e nunca te permitir uma distância maior do que a suficiente para ouvir tua respiração no silêncio do nosso aconchego? Te escuto calmo, mas como conseguir manter a atenção em palavras quando o que vejo são apenas lábios, lábios, lábios, úmidos, vorazes, ah! Como eles parecem me pedir, como os desejo. E tua voz a me negar. Não me preocupo com o que dizes, disfarço estar preocupado quando na verdade a única coisa que me preocupa são os seus lábios. E como você fala muito, pouco tenho tempo para pensar em responder outras coisas, como foi seu dia, como é bom te ver, já que me és assim, furtiva e sorrateira já se esvaindo se perdendo entre as outras pessoas. Eu apenas pensava nos teus lábios, a graça com que uns fios de cabelo teimosos lhe caem sobre os olhos, como eu queria lhe pousar a mão na face, sentir a tua pele em pétalas primaveris, retirar este feixe de melena dos teus olhos para melhor me entranhar em tuas meninas, tatuar-me nelas para que não me esqueças, para que eu te apareça lancinante quando menos espera, te incomodando o sono, a calma, a viagem de ônibus, a conversa com a amiga, o café solitário, a taça de vinho, o livro que pousas no coração, a vitrine que te toma a vista.

Quem vinha lá, pensando em que sonhos e desilusões? Vi Penélopes e Tesalinas vestidas como Helenas, descalças erguendo um sol de papel nas tuas costas, lhe retirando as sandálias, despindo carinhosamente tuas vestes pagãs e lhe cobrindo com mantos de linho e seda do Oriente enquanto derramavam sobre o chão que pisavas, já descalça, lírios, gerânios e calêndulas, preparando-te calma e paulatinamente para os ritos do amor e da luxúria. Não há pecado em nossas mãos. Nosso prazer é abençoado por Eros e Afrodite que deitados numa nuvem ali próximo a tudo viam e riam invejando o suor, o cheiro de prazer que nem os Deuses são capazes de exalar. Deitamos da cama de Adriano, ouvimos os Coros de Cântaro e Ovídio recitou versos para nossos deleites e encanto.

Agora isso: de que me valeu esse delírio? Por acaso passará a me desejar, ou se já amas o suficiente para sentir minha falta mesmo que transitória, te farei mais apaixonada e feliz? Não quero respostas, já que estas fecham caminhos. A dúvida alimenta, constrói os castelos que fiz na areia sozinho, naquele passeio na praia que não me convidou ou me esqueceu? Já que indefeso, convertido em escravo; sim, tens minha posse, meu domínio, e me faz sofrer os ardis do corpo que cai e se ri quando te peço a mão. Por que mesmo a escrita não me traz você; mesmo nos meus delírios tua imagem me foge e é fragmento, vertigem, convulsa, confusa e incerta?


* Gravura de Edward Hopper, Morning Sun, cara corajoso ao brincar com sombras, além de coragem é preciso competência e olho, coisas que ele tem.



- Postado por: Luisandro às 00h35
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SONGS FROM THE WOOD

Eu não ia escrever nada. Mas acontece que às vezes as coisas acontecem de um modo que não espero. Eu não escrevo quando quero, escrevo quando a escrita me chama, me cutuca, me perturba e tenho que colocar para fora antes que eu pire. Li "O pequeno príncipe" com carinho desta vez. Degustando cada palavra, cada deslumbramento e cada pergunta do jovenzinho renitente e sábio. O que me ficou desta leitura é a passagem em que ele diz que os homens procuram e não sabem o que procuram. Droga! Que pergunta, o que eu procuro? O que você procura? E agora a pouco enquanto fumava e apreciava o por do sol, senti inveja dele que pode ter vários pores-do-sol por dia, sempre quando se está desanimado. Sorte a dele, sorte de quem tem pôr-do-sol para ver. Voltei lá. O sol havia sumido. Por que tenho medo de enlouquecer? Por que não sei se sou feliz? Por que tenho dúvidas? Estou no caminho certo? Por que às vezes tenho tanto medo da vida? Por que certas coisas me pegam de atropelo? Não vou pedir desculpas por ser eu mesmo. Por viver me questionando. Por duvidar, por errar. Por querer fazer as coisas certas. Por ter medo de ficar sozinho, de amar ferozmente. Eu não sei o que dizer. É horrível não ter o que dizer. Pensar em muitas coisas e não ter nada pra dizer. Nada de conselhos. Detesto conselhos. Por que a vida não pode ser uma comédia romântica onde tudo acaba bem no final, todos tem um bom emprego, são bem sucedidos, moram em Londres ou Nova York e fazer sexo é como um esporte gostoso de final de semana?


Título de uma música do jethro tull, "Let me bring you songs from the wood, to make you feel much better than you could know (...)life's long celebration's here"



- Postado por: Luisandro às 18h23
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APENAS ESPECULAÇÃO

Fotografia de Janusz Miller retirada daqui: http://www.oureyes.net/galleries/galleries.html

BONS E MAUS NEGÓCIOS

O meu coração é assim, casa sempre a ser alugada. Não coloco na imobiliária, sou do tempo em que as coisas se resolviam no fio do bigode. Para mim ainda hoje se resolvem e nada de intermediários ou terceiros. O grande problema são esses inquilinos que aparecem de mansinho, pedem a chave dão uma olhada e não fazem contrato. Nunca fazem contrato. E assim ficam, ficam, ficam...

O grande problema dos inquilinos do coração é os estragos que eles deixam quando vão embora. O primeiro inquilino é o que se deu bem. Pegou tudo limpinho, a pintura zerada, o assoalho sem riscos de móveis que foram arrastados, manchas de águas ou líquidos descuidados, infiltrações do tempo, canos entupidos e outras coisas. Nada. O primeiro inquilino encontrou a casa disponível, você mostrou para ele, ele entrou, gostou e veio de mudança. Mas não sai tão bem, deixou sua marquinha na casa, pintou um quarto de lilás, riscou o chão da sala, furou com cinza de cigarro o carpete do corredor, entupiu o cano da cozinha. É, teu coração nunca mais foi o mesmo.

No segundo inquilino, já se sentindo curtido, já com a casa em ordem depois de um tempinho para reformas, claro que você não quer perder tempo e coloca logo de novo a plaquinha de aluga-se escancarada no pátio. Você entrevista melhor o inquilino desta vez, pede um avalista, o inquilino tem uma boa situação financeira, estabilizado e tal. Mas ele não te avisou que tinha animais de estimação. Sim. Ele tem um labrador que vai destruir a grama que você plantou naquele feriado de carnaval, comer as orquídeas e as mudas de laranjeira. É, o segundo passou como o cão dele, fez um grande estrago no pátio, e justo no pátio, que é o espelho da casa, é por onde as pessoas que vão alugar a casa param para olhar. E o valor do imóvel então? É, vai ter que ficar um tempo sem ninguém para consertar o estrago.

Daí eis que a sorte te sorri, um inquilino cai do céu. Caprichoso, paga em dia, as vezes adiantado. Veio doce e mesmo sem fiador você alugou seu coração para ele. O seu inquilino era uma mulher doce, meiga, você fazia pipoca enquanto ela esquentava as cobertas no sofá. Você saia para comprar remédio para ela à uma da manhã porque ela não estava se sentindo bem. Você alugava os filmes água com açúcar porque ela não gostava das suas intelectualoidices, e não entendia porque Godard não tinha estória, enredo, casal feliz, essas coisas. Você até passou a camisa porque ela pediu. Mas daí, você feliz com a valorização do seu imóvel, claro o inquilino estava cuidando bem dele. Você trazia outras pessoas para conhecê-lo enquanto a outra não estava. Não precisava nem o vizinho contar, ingênuo você se denunciava, nunca soube mentir direito (por isso não era bom vendedor?) e um dia se saco cheio disso tudo o seu melhor inquilino foi embora e nem te avisou. Justo quando você estava crédulo, sua fé estava noutro horizonte e a manhã tinha gosto de bolo de laranja o telefone parou de tocar, o número no celular mudou. E do outro lado da linha voz fria que respondia furtivamente.

A casa ficou um bom tempo fechada. Sim, você esperava que o inquilino voltasse. Que ele viesse desfazer os pequenos arranhões no assoalho, pintar de novo a sala que ela tanto insistiu que ficaria linda com cor de salmão, é não sei dizer não. Consciente de que ela não vai mais voltar você volta ao mercado imobiliário, mas dessa vez, tudo parece tão triste. A casa está tão gasta e sem cor, que mesmo pintando ou fazendo algum tipo de reforma, o coração sempre vai guardar as marcas dos antigos moradores.


Sem muito pra dizer, texto esquecido que resolvi mostrar, variar um pouco, faz algum tempo que não aparece crônica por aqui. Meus amigos, não sei se o que eu disse ai em cima é verdade, mas de qualquer modo é assim que penso, pelo menos por enquanto. O título é apenas por falta de outro melhor.

De resto é isso, bom feriado a todos!!!

"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)" Ricardo Reis, "Odes de Ricardo Reis".



- Postado por: Luisandro às 22h46
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APENAS IMPRESSÕES RECOLHIDAS ANTES DA CHUVA

IMAGEM, IMAGEM E IMAGEM

A quantas andas ou corres?
Fluída em beleza e sensações,
Sorrateira ligeira tuas imagens
Povoam a parede de minhas lembranças
Ocupando vazios
Ocultando memórias vagas e más.

Como fugir do teu olho incisivo
Dessa volúpia que se derrama
Em cálices, em gotas e deleites
Em todos os teus espaços.
Todos são os teus espaços;
Tudo são os teus rastros.
A tua respiração que ofega,
Pede, me pede e me nega.

Te desejo em cada respiração.
Quantos poetas te farão

Versos mais belos que os meus...
Preencherão as tuas sombras
Riscarão à giz os teus traços singelos
(não o que traças, o que tens em pele)
E tuas gravuras emanarão para o eterno
Idílio e explosão.

Em adágio tua saliva
Será minha, a minha.
Pegar-te-ei em cálice, bebendo
Calma e intensamente
As tuas luxúrias e os teus delírios
De manhã de verão chuvosa.

Sozinhos na praia, só o mar e a lua serão
As testemunhas caladas de nossos crimes
Nossas juras feitiços e gozos.
Enquanto a lua não vem
E sua sombra ainda é manhã,
Disperso-me em linha em lápis
E te risco em todos os instantes.
Oh! Mulher, o que fizeste de mim?
Por que tudo é delírio?
Por que teu abraço pequeno,
Tuas mãos sujas são tão distantes?
Grito ao vazio e o vento leva
Proutros lados minha voz já insone

Passando ao largo dos teus ouvidos.


"Querer escrever o amor é afrontar o atoleiro da linguagem: esta região desesperada em que a linguagem é ao mesmo tempo muito e muito pouco, excessiva (pela expansão ilimitada do eu, pela submersão emotiva) e pobre (pelos códigos mediante os quais o amor a rebaixa e reduz)." Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso.

Já em quase delírio, abate-se uma angústia, de pensar no objeto de poesia, pensar a atividade da poesia e o que tenho são imagens confusas na cabeça, que se misturam revoltosas com outras preocupações que afloram o consciência; mas, à contra-parte dessa volição que se pede exprimível, exteriorizável em palavra, em verso, em escrita, uma angústia, uma desilusão e o sentido incontrolável e incompreensível (em termos, pois há como compreender essa incapacidade) de transformar algo de carne em palavra. Na verdade essa é a grande ilusão que desde Artistóteles, a sombra do pensamento grego nos perseguirá ao eterno, somos impingidos a mimetizar a realidade, ou pelo menos não fugir dela. Estamos presos, em grande medida, à um tempo, à uma época (quantos foram os felizes com sua época, sua história e sua política?), à essa limitação expressiva, que se não condiciona ou limita, já que mesmo limitados somos capazes de transcender todo o contexto, toda a sociedade vultuosa e fraca que nos cerca, para construir um objeto de arte que seja no mínimo capaz que provocar algum prazer estético, uma sensação de abraço apertado, grito ou magia. Entendo prazer estético, não apenas a sensibilização da emoção do outro, mas a tomada pelo outro, seja pelo leitor anônimo, seja pelo artista desse sentimento, que já não é mais sentimento, pois desfigura-se de plano, imbuído disso o(a) leitor(a) diga a si mesmo, Oh! Como queria ser amada(o) assim. Só que ambos, o artista, e o leitor, o que acontece do lado de cá e do lado de lá não se tocam, não se encaram e seus olhares nunca se encontram para que digam um ao outro: quem é você para sentir isso? Te autorizo a dizer o que sinto com tal limitada expressividade? Posto que ambos se ocultam, mesmo no grito de angústia do poeta, a sua voz não se faz ouvir, quem sabe se faça, longe longe, nos ouvidos desatentos do leitor ou de um coração sedento de voz, eco e sonho.



- Postado por: Luisandro às 12h12
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SHOULD I STAY OR SHOULD I GO?

Depois de uma semana longe deste blogue cá estou eu novamente escrevendo para vossas senhorias. Hoje acho que não tem poema, não tem carnaval e o bloco ficou escondido...

O seminário na USP foi muito bom. Trocar idéias com outros pesquisadores, aprender coisas novas é sempre prazeroso. Infelizmente, com a greve não deu para explorar a biblioteca do FFLCH, mas tudo bem, fica para a próxima. Sinceramente minha apresentação não foi legal. Fiquei nervoso pra caramba, me enrolei um pouco, e acho que meu trabalho também não ficou a contento. Não fiquei satisfeito, e isso me fez ver como meu conhecimento é muito limitado e tenho muito ainda que aprender. Depois de você passar quase dois dias inteiros vendo grandes figuras da lingüística nacional, pós-doutores, doutorandos, apresentando seus trabalhos a responsabilidade de eu apresentar alguma coisa boa ficou ainda maior. E não teve como não ficar nervoso e o inglês sair meio enrolado. Mas tudo bem, pelo menos sei o que preciso melhorar e aprender... Na Sexta-feira para encerrar o evento inventaram de ir numa cachaçaria na Vila Madalena, uma das maiores concentrações de boteco por quadra do país, se não a maior. Como eu estava gripado, ainda estou, as pinguinhas não desceram legal, mas pelo menos esquentaram a garganta.

Mudando de assunto...

Tem coisas que parecem estar fora do nosso alcance, por mais que a gente se esforce, lute corra atrás, não dá para ter tudo. Não tem como conseguir tudo. Eu não quero "tudo", algumas poucas coisas que acredito que fazem a felicidade de um homem. Às vezes fico triste por não ter muitas coisas materiais, não ter um carro, um dvd (ainda!), não poder trocar de computador, não ter um cão, uma estante decente para colocar meu livros (a coitadinha ficou tão cheia de coisas que veio abaixo, e não sobrou tempo para grudar de novo a prateleira na parede). Mas também olho para pessoas que tem muitas coisas que querem, que tem todos as coisas materiais que não tenho e para elas sempre falta algo. Vamos às compras! Já reclamei de muita coisa, hoje sigo mais tranqüilo e sei que cada coisa virá a seu tempo. As sementes que estou plantando hoje vão ser colhidas muito mais tarde, só espero estar jovem ainda para poder colher e aproveita-las. Por que estou falando isso? Ora, porque nas coisas do coração nem tudo está ao nosso alcance. O verbo amar não aceita imperativo "me ame!", amar é um estado não uma ação, é uma coisa que subsiste, independe de como é o mundo, mas depende de como são os seres no mundo. "Amor" acho uma palavra forte, as pessoas confundem amor com paixão, eu vejo como coisas diferentes. Conheci algumas mulheres nesta minha vida curta. Por muitas pensei estar loucamente apaixonado, corri, corri tanto que um dia alcancei elas, e quando cheguei lá não era o que eu esperava, mesmo inteligentes não eram o tipo de mulher que eu buscava. E hoje me pergunto isso, o que eu busco numa mulher? Muitas têm inteligência, poucas tem personalidade, muitas tem conhecimento, poucas o usam; e às vezes acabo criando expectativas em relação às pessoas que não se concretizam. Porque não tem como alguém de repente se apaixonar por mim assim, pode até ser que aconteça de haver uma atração e tal... mas tem outras coisas que eu não consigo entender mesmo, acho que nem precisa. Umas se jogam nos seus braços na primeira noite, outras demoram, se resignam, dificultam, não se soltam, e só com o tempo acaba se desenvolvendo a descoberta do corpo um do outro, já que discordem ou não é isso que faz as pessoas casarem e ficarem juntas, não é condição suficiente, mas é necessária. Quanta enrolação, afinal, é isso mesmo que fazer? Quem sabe ela seja a mulher da minha vida, talvez não. Quem sabe um dia ela se apaixone, talvez não. Quem sabe um dia eu pare de sonhar tanto, talvez não...


Galera valeu pelas visitas e comentários, brigadão mesmo.

E a foto ali de cima e a aqui de baixo? ah Vinícius, só você para colocar na nossa boca as palavras que nos faltam nesses momentos, e devemos concordar com ele que "em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável."



- Postado por: Luisandro às 09h53
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AH, SE ELA ME AMASSE!

IMAGENS

Tudo me foge
Olhos relógios calendários
Sobram teus lábios e dentes
Me crivando de flor e aurora o dia.

Sobram teus sons,
A tua imagem com fundo vermelho;
Teus traços firmes;
Tua pressa, tua ânsia
(em que céu tua estrela brilha?)
e cá fico com a sutileza de teus
retratos fugidios.

As penas me caem das asas
Em pele, em carne morta.
Desnudo de alma e crença
O dia invade todos os espaços
Invade cada quadrado e vento.
Não te acho
E nem é ainda primavera.
Porque me falta asa,
Já estou sem palavra
Ou doidivanas.
Levaste os pincéis
Como traçarei imagens?
Farei tuas gravuras, teus olhares e cabelos?
Quem sabe te descobrindo,
Te sentindo mulher, vício e pura inquietação.


Pois é, obrigado pelos comentários, palavras, o poema é inspirado e é pra você mesmo, já que sou isso, sou essa coisa errante que não diz as coisas que deveria dizer simplesmente por ser isso que eu sou, imprevisível... pensar demais, supor demais, imaginar demais...

Semana que vem estou indo participar de um Seminário na USP, apresentar meu trabalho (in english!), por isso estou preocupado, mas vamos lá a vida de pesquisador é essa mesma.

"Excitação maior que despi-la? É livrá-la do óculo. Mais nua de estar sem óculo que sem roupa" Dalton Trevisan, 111 Ais.



- Postado por: Luisandro às 23h41
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SOLTOS

De tanta pirraça
Um dia
perdi a graça


Mentira ou verdade?
cada qual
com sua metade.


Sob o véu das veleidades
maroto espio
o final da tarde.


Fantasia e realidade
cá eu fico
com as duas metades.


Mão no olho
pra ver se
dele tiro o sono.


Num dia de mentira
vou viver
as minhas verdades.


Masturbo a mente
pra ver se me
aparece um pensamento decente.


concentrado
De dentro do meu
centro
me olho pra dentro.


enquanto isso no mundo encantado... tentando fazer as coisas do jeito certo (não estou doente não, sou eu mesmo), só não sei se vou conseguir. como é complicado querer estudar e outras coisas começam a vir na tua cabeça, uma fábula, um verso solto, por que ela nào me liga, por que eu não ligo, por que penso tanto nela, por que indo ao mercado começo a pensar no meu trabalho e quando quero pensar nele não consigo, por que estou com dor de cabeça, por que o telefone dela não atende, por quê?



- Postado por: Luisandro às 20h34
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